Sejam Bem-vindos Ao Meu Blogue!

Escrever é muito mais do que uma mera paixão, é uma parte de mim!
Na poesia, os pensamentos, as ideias e as emoções ganham vida própria, deixam de ser uma parte do autor e rompem a fronteira do "eu" , abraçando, assim, outras realidades, outras vidas.
Nélson J. Ponte Rodrigues

sábado, 29 de julho de 2017

O Meu Grande Amor

Afinal, onde está o meu grande amor? É uma pergunta recorrrente. A dependência, num sentido lato, (foi, é e sempre será) um forte impeditivo da felicidade plena. As pessoas devem estar com quem querem e quando querem. Tudo o que é forçado geralmente colapsa ou sucumbe. Sós os filhos e os pais são obrigações... E mesmo assim, por vezes, familiares tão próximos tornam-se em autênticos estranhos. O desenlace das relações humanas ao longo da vida é um tema complexo e bastante imprevisível. Tudo o resto deve ser feito caso os intervenientes o queiram verdadeiramente. Fazer algo só para agradar... É fulcral evitar a todo o custo. Na naturalidade habita a verdadeira beleza. Os amantes da felicidade geralmente encontram-na no seu próprio eu. Não é preciso ter (algo ou alguém) para ser feliz. A felicidade deve começar dentro de nós. O mundo exterior só a deve complementar. Onde está esse grande amor (dos contos de fadas)? Quem se aprende a amar e se aceita como é, encontra nele o amor que poucos ousam saborear. Para me encontrar, tive de me perder, afastar-me dos vícios, das convenções sociais... É este o único trajeto! A solidão assusta muitos. Contudo, posso estar sozinho, mas não me sentir só. A dependência emocional enfraquece a carne, perturbando ainda mais a mente e o espírito. O amor perfeito, que muitos idealizam, não existe. Nada na condição humana é eternamente perfeito. A maior qualidade humana é o seu poder de adaptação.



Nélson José Ponte Rodrigues

29-07-2017


domingo, 2 de julho de 2017

Não queiras menos do que mereces

Não te prendas onde ninguém te agarra.
Não acredites nas tuas próprias ilusões.
Algumas feridas nem cicatrizam nem saram.
Terás de aprender a viver com elas, arrumá-las algures…
Prudência, então! Não amordaces a razão!
Coloca a angústia bem longe do peito e da mente.
Não sofras por um amor ausente, é um ato demente.

Não alimentes a euforia de um amor passante.
A razão é a única amiga do coração.
Não te fies, portanto, na ilusória paixão.
Desejos e vontades não alteram ninguém,
Alguém ficará sempre muito aquém.

Por vezes, queremos acreditar,
Noutro desfecho, noutro olhar.
No entanto, as circunstâncias continuarão iguais.
Seremos sempre desiguais.
Não há pares perfeitos, simétricos…

Na vida há livre-arbítrio e querer,
O resto são falácias a irromper.
Não te fies nos mentirosos habituais,
Permanecerão certamente desleais.

Não te aprisiones a um amor perdido.
Não te demores onde já não és entendido.
Não há amor onde não somos amados ou prezados.
Não há prémios nem condecorações para os mal-amados.

Liberta-te do que te faz mal,
Do banal ou disfuncional.
A ansiedade que te devora de dentro para fora
Aniquila a alegria que poderias estar a sentir agora.

Esquiva-te da dor e da agonia,
Pois irás perder mais um dia.
É quase impossível renascer quando te refugias na escuridão.
O amor e a vida cessam um dia, interioriza esta constatação.

Não reprimas o teu ser para convir ou agradar.
Não te refugies nas amarguras do passado já queimado,
Abre as portas e indaga um novo achado.
Tu és capaz de te exonerar,
Para tal não te podes boicotar.
Ser feliz é compreender
A diferença entre segurar e largar:
Segura-te ao que te pode levar mais além;
Larga o que já não surpreende nem entretém.

Não há louvor na dor!
É preferível deter amor-próprio e ficar sozinho a camuflar um amor débil ou servil.
Enquanto uns amam, outros adornam o seu egoísmo.
Cabe a nós decidir, quem deve ficar ou partir.

Podemos desistir de tudo... menos de nós mesmos.

Nélson José Ponte Rodrigues
01-02 / 07 / 2017




quinta-feira, 29 de junho de 2017

A Geração dos Pequenos Ditadores


Mais um ano letivo terminou (na maioria das escolas). Terão os alunos revelado e aprendido muito neste ano letivo? Penso que não! Para eles, atualmente, tudo é fácil e descartável. Obter um satisfaz é a meta da maioria. Que cidadãos serão estes no futuro? 
A maioria dos pais simplesmente cria pequenos ditadores que não podem ser contrariados e nalguns casos recusam-se ainda a admitir o que é óbvio, isto é, estão a falhar enquanto pais. 
Errar é humano, recusar-se a enfrentar os factos é um ato que revela estupidez e negligência perante a sociedade. Não vivemos numa selva! Temos de aprender a respeitar os outros desde tenra idade. Uma criança que é habituada (e até incentivada) a transgredir regras, que tipo de adulto será? Errar deliberadamente e não prover punição é incentivar.
Educar requer tempo, dedicação e ouvir um não quando necessário. A velha teoria que os tempos mudaram, não resulta. O conceito de educação tem mudado para pior (bem pior). Desautorizar um professor, humilhá-lo e desrespeitá-lo nunca serão sinais de evolução, mas sim de retrocesso. 
Afinal, o que é Educar hoje em dia? Subornar ou manipular menores recorrendo a bens materiais não é e nunca será educar. Cada vez mais, é possível testemunhar casos de extrema indisciplina e, por vezes, de pura má educação. Um pedido de desculpas, para quê? É vergonhoso. Não há desculpas para isto. Não estarão a criar adultos egoístas, egocêntricos e até desumanos, caros pais?! As crianças devem aprender desde tenra idade que nenhum ato está isento de consequências e que respeitar os outros é fundamental. 
Há muito a fazer relativamente à educação... Para além disto, o ensino também precisa de ser reeducado. Os programas escolares estão desajustados à realidade. Para quê tanta teoria e programas infindáveis? Não seria mais útil apelar ao pensamento crítico dos alunos e conferir-lhes alguma responsabilidade face à aquisição de competências ou saberes? Sou contra o facilitismo. Valorizo as mentes criativas, e não as formatadas. Pedir aos alunos para decorarem nomes, datas, acontecimentos, fórmulas... Será isto útil? Devem reconhecer e aplicar conteúdos, isto sim.
Para finalizar, atacar colegas (de profissão) e mostrar desunião, não nos tornará mais fortes... pelo contrário. É na união que está a força!

Nélson José Ponte Rodrigues
26-06-2017


domingo, 28 de maio de 2017

Carrascos da Própria Existência

Aqueles que deviam aquecer o teu coração são, na realidade, os que queimam a tua alma sem pudor, atormentando ainda a tua mente e despertando, por conseguinte, a cólera no teu coração.

É ultrajante saber o quão absurda é a condição daqueles se autodenominam vítimas do destino. Serão mesmo vítimas ou seus próprios carrascos? Vidas perfeitas não existem, é uma distante utopia. Afinal, quem são estes mártires? Tantos que sofrem muito mais e mesmo assim honram a sua existência, lutando, superando as limitações que lhes foram impostas. Entre os espinhos, por vezes, permanentes, ainda arranjam tempo para sorrir, para inspirar... Não procuram a piedade alheia. Não querem ser reconhecidos pelas suas derrotas, mas sim pelas suas vitórias. Assim, são os grandes guerreiros! Estes são os verdadeiros heróis. Sangram, choram, gritam em silêncio, tropeçam, caem... Não se entregam à lamúria dia após dia. Ao invés disso, erguem-se, lambem as feridas, sacodem as roupas empoeiradas, arregaçam as mangas ensanguentadas e prosseguem cambaleando. Arriscar é melhor. Viver com pena de si mesmo é uma forma atroz de comunicar a sua morte no mundo dos vivos. É deitar fora o bem mais precioso de todos e que muitos já perderam injustamente. Fazer do infortúnio um orgulho modesto é, sinceramente, um ato insano. Celebram o que a maioria prefere esquecer ou abandonar de vez. 
Aqueles que se queixam da própria vida e que nada fazem (de concreto) para a mudar, verdadeiros adeptos da inércia e que vivem da autocomiseração, não são vítimas, são carrascos. Querem afogar-se no seu próprio sofrimento e ainda tentam sufocar aqueles que lhes prestam socorro (ou já tentaram). Culpabilizam, muitas vezes, tudo e todos pela sua situação. Não procuram soluções, uma saída; focam toda a sua energia e tempo noutros possíveis problemas, criam cenários irreais e desfavoráveis à sua felicidade, lançam pedras no seu próprio caminho. Entretanto, buscam aplausos pelo seu fracasso, derrota, e não pelo seu triunfo. Vivem das migalhas que a vida pode oferecer. Não são e nem querem ser autossuficientes. Isso requer gerir a própria vida... Isso dá trabalho. É preferível sobrecarregar o familiar ou amigo mais próximo.
Um ser humano adulto que não é senhor da sua independência é, de facto, uma albarda pesada na vida dos outros. Podem discordar, mas esta é a pura verdade. Aprender a lidar com isso é árduo, requer uma força quase sobrenatural. Estas pessoas que se encostam noutras, que adoram viver da sua interminável desgraça são tóxicas. Sugam a tranquilidade daqueles que as rodeiam. (Não me refiro a doentes crónicos com mobilidade reduzida ou débil condição física ou mental devidamente comprovada, vítimas de acidentes graves que perderam sem o seu consentimento a sua mobilidade e/ou liberdade).

Superar as adversidades da vida é uma qualidade humana. Fazer da dor júbilo... É doentio! É execrável! (Refiro-me àqueles indivíduos que preferem encontrar mais problemas para além daquele que já têm quando é nitidamente possível encontrar uma solução.) É tão fácil ser-se triste,não é? A felicidade dá trabalho. Viver não é para todos, existir sim.

Estes seres (que não considero verdadeiramente humanos) infligem dor a si mesmos para além daquela que outrora sofreram pelas mãos de outrem. Perante tanta imbecilidade, pergunto-me: Atentar contra a própria existência fará sentido? Não! Não controlamos o meio que nos circunda (é um facto), mas somos responsáveis pela forma como este nos afeta (uma constatação). Valerá a pena culpabilizar o destino constantemente? Não... Isso não mudará absolutamente nada. O bom discernimento é tão vital quanto o ar.
A estupidez humana não tem limites... A paciência, por outro lado, tem. A pior parte é que a última referida é, muitas vezes, irreversível. Não podemos salvar quem não quer ser salvo. Aprendemos isto ou enlouquecemos. Ninguém te pode obrigar a dar o que já deste e se esgotou. Podemos orientar, dar bons conselhos, não podemos salvar. Temos de aceitar o que não podemos mudar. É uma decisão dolorosa, mas necessária. Numa determinada fase das nossas vidas, é fulcral soltar as amarras sem sentimento de culpa.
Evidentemente, abomino pessoas que fazem da sua tragédia, uma peça de teatro. O sofrimento não deveria fazer de ninguém um herói, o que o deveria imortalizar seria a força exibida a posteriori. Saborear a vida não é uma obrigação, é uma necessidade negligenciada por muitos. A vida resume-se a dias bons e a dias menos bons. Quem não quer viver dignamente (e pode), não deveria infernizar aqueles que sempre lutaram pela sua felicidade e bem-estar. Quem vive bem com o seu descontentamento e orgulha-se disso não deveria importunar aqueles que não se identificam com esse estilo de "vida". Basta! Chega! Não! Adeus! Palavras que libertam...Ninguém tem o direito de nos roubar deliberadamente a alegria dos nossos dias. Libertem-se!

Existem, assim, pessoas inspiradoras, banais, vazias, malévolas, e outras tóxicas.

Nélson José Ponte Rodrigues
27 / 28 - 05 - 2017