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Escrever é muito mais do que uma mera paixão, é uma parte de mim!
Na poesia, os pensamentos, as ideias e as emoções ganham vida própria, deixam de ser uma parte do autor e rompem a fronteira do "eu" , abraçando, assim, outras realidades, outras vidas.
Nélson J. Ponte Rodrigues

domingo, 28 de maio de 2017

Carrascos da Própria Existência

Aqueles que deviam aquecer o teu coração são, na realidade, os que queimam a tua alma sem pudor, atormentando ainda a tua mente e despertando, por conseguinte, a cólera no teu coração.

É ultrajante saber o quão absurda é a condição daqueles se autodenominam vítimas do destino. Serão mesmo vítimas ou seus próprios carrascos? Vidas perfeitas não existem, é uma distante utopia. Afinal, quem são estes mártires? Tantos que sofrem muito mais e mesmo assim honram a sua existência, lutando, superando as limitações que lhes foram impostas. Entre os espinhos, por vezes, permanentes, ainda arranjam tempo para sorrir, para inspirar... Não procuram a piedade alheia. Não querem ser reconhecidos pelas suas derrotas, mas sim pelas suas vitórias. Assim, são os grandes guerreiros! Estes são os verdadeiros heróis. Sangram, choram, gritam em silêncio, tropeçam, caem... Não se entregam à lamúria dia após dia. Ao invés disso, erguem-se, lambem as feridas, sacodem as roupas empoeiradas, arregaçam as mangas ensanguentadas e prosseguem cambaleando. Arriscar é melhor. Viver com pena de si mesmo é uma forma atroz de comunicar a sua morte no mundo dos vivos. É deitar fora o bem mais precioso de todos e que muitos já perderam injustamente. Fazer do infortúnio um orgulho modesto é, sinceramente, um ato insano. Celebram o que a maioria prefere esquecer ou abandonar de vez. 
Aqueles que se queixam da própria vida e que nada fazem (de concreto) para a mudar, verdadeiros adeptos da inércia e que vivem da autocomiseração, não são vítimas, são carrascos. Querem afogar-se no seu próprio sofrimento e ainda tentam sufocar aqueles que lhes prestam socorro (ou já tentaram). Culpabilizam, muitas vezes, tudo e todos pela sua situação. Não procuram soluções, uma saída; focam toda a sua energia e tempo noutros possíveis problemas, criam cenários irreais e desfavoráveis à sua felicidade, lançam pedras no seu próprio caminho. Entretanto, buscam aplausos pelo seu fracasso, derrota, e não pelo seu triunfo. Vivem das migalhas que a vida pode oferecer. Não são e nem querem ser autossuficientes. Isso requer gerir a própria vida... Isso dá trabalho. É preferível sobrecarregar o familiar ou amigo mais próximo.
Um ser humano adulto que não é senhor da sua independência é, de facto, uma albarda pesada na vida dos outros. Podem discordar, mas esta é a pura verdade. Aprender a lidar com isso é árduo, requer uma força quase sobrenatural. Estas pessoas que se encostam noutras, que adoram viver da sua interminável desgraça são tóxicas. Sugam a tranquilidade daqueles que as rodeiam. (Não me refiro a doentes crónicos com mobilidade reduzida ou débil condição física ou mental devidamente comprovada, vítimas de acidentes graves que perderam sem o seu consentimento a sua mobilidade e/ou liberdade).

Superar as adversidades da vida é uma qualidade humana. Fazer da dor júbilo... É doentio! É execrável! (Refiro-me àqueles indivíduos que preferem encontrar mais problemas para além daquele que já têm quando é nitidamente possível encontrar uma solução.) É tão fácil ser-se triste,não é? A felicidade dá trabalho. Viver não é para todos, existir sim.

Estes seres (que não considero verdadeiramente humanos) infligem dor a si mesmos para além daquela que outrora sofreram pelas mãos de outrem. Perante tanta imbecilidade, pergunto-me: Atentar contra a própria existência fará sentido? Não! Não controlamos o meio que nos circunda (é um facto), mas somos responsáveis pela forma como este nos afeta (uma constatação). Valerá a pena culpabilizar o destino constantemente? Não... Isso não mudará absolutamente nada. O bom discernimento é tão vital quanto o ar.
A estupidez humana não tem limites... A paciência, por outro lado, tem. A pior parte é que a última referida é, muitas vezes, irreversível. Não podemos salvar quem não quer ser salvo. Aprendemos isto ou enlouquecemos. Ninguém te pode obrigar a dar o que já deste e se esgotou. Podemos orientar, dar bons conselhos, não podemos salvar. Temos de aceitar o que não podemos mudar. É uma decisão dolorosa, mas necessária. Numa determinada fase das nossas vidas, é fulcral soltar as amarras sem sentimento de culpa.
Evidentemente, abomino pessoas que fazem da sua tragédia, uma peça de teatro. O sofrimento não deveria fazer de ninguém um herói, o que o deveria imortalizar seria a força exibida a posteriori. Saborear a vida não é uma obrigação, é uma necessidade negligenciada por muitos. A vida resume-se a dias bons e a dias menos bons. Quem não quer viver dignamente (e pode), não deveria infernizar aqueles que sempre lutaram pela sua felicidade e bem-estar. Quem vive bem com o seu descontentamento e orgulha-se disso não deveria importunar aqueles que não se identificam com esse estilo de "vida". Basta! Chega! Não! Adeus! Palavras que libertam...Ninguém tem o direito de nos roubar deliberadamente a alegria dos nossos dias. Libertem-se!

Existem, assim, pessoas inspiradoras, banais, vazias, malévolas, e outras tóxicas.

Nélson José Ponte Rodrigues
27 / 28 - 05 - 2017


sexta-feira, 14 de abril de 2017

Aprende a Amar-te

Era uma vez... e viveram felizes para sempre!
Ainda existe esse aclamado amor que une duas pessoas para sempre? Bem... Já não acredito nessa balela há algum tempo. As relações são geralmente movidas pela paixão, pelo desejo. E depois? Surge a inevitável penumbra, a maldita monotonia, o comodismo, a previsibilidade. Então, tudo se dissipa, tudo esmorece. A vontade, a admiração e a amizade são os verdadeiros pilares que sustentam uma relação a dois. Tudo o resto é devaneio, pura ilusão. 

Quem investe em si, nunca perde nem pessoas nem tempo. Ganha maturidade e sabedoria. 
Sê o que queres ser, não o que supostamente querem que tu sejas! A liberdade é o bem mais precioso que temos. Partilha-a com alguém que a respeite e entenda verdadeiramente o ser que tu és. A felicidade não está no outro, está dentro de nós! Os outros só a podem enaltecer ou aniquilar. A sensatez e a felicidade caminham juntas alegremente. Esquece as teorias sem fundamento, os contos de fada... Aprende a amar-te. 

Nelson José Ponte Rodrigues
08-03-2017


Molesta-te Incessantemente ou Liberta-te!

A maior virtude do ser humano é a sua capacidade de se autorregenerar. O corpo fá-lo facilmente, a mente não. Todos os dias o nosso corpo combate agressões externas. No entanto, as feridas que permanecem invisíveis perante os olhos dos outros não se cicatrizam facilmente e tão depressa infelizmente. A deceção enrijece o coração e, geralmente, torna-nos mais ásperos, caprichosos e até egoístas. 

Vale a pena lutar? Sim!
Acreditar na bondade genuína e sinceridade das pessoas é cada vez mais difícil. Enquanto há vida, há esperança... (dizem)
A resiliência não é uma qualidade intrínseca, adquirida à nascença; esta desenvolve-se, alimenta-se ao longo da nossa vida. Só após uma enorme ou inúmeras deceções, aprendemos a ser autossuficientes. E o amor? Onde se encontra a célebre alma gémea? Não sei! (confesso)
A solidão, pelo menos, nunca nos abandona ou trai... Quem aprecia a sua própria companhia, não se contenta com sombras... Ainda há amor? Há! Muito amor centrado na própria existência. 
A vida começa a dois e deveria terminar assim. Deveria...
Por outro lado, outros sujeitam-se a tudo em prol de uma felicidade moribunda ou falaciosa. Poucos ousam reconhecer o fracasso como seu... Errar! Quem? Eu?
Quantas derrotas tive eu de testemunhar para, mais tarde, abraçar a vitória? Quem se satisfaz com pouco, nunca será muito (em nada). Contudo, é fulcral avaliar bem o que / quem se tem, antes de partir numa nova jornada. A felicidade implica sensatez e amor-próprio q.b. 
A condescendência exarcebada enfraquece a nobreza do ser que a carrega. 
Viver implica, assim, sapiência que muitas vezes advém do conhecimento empírico. 
Ama-te ou aniquila-te de uma só vez! Quem não se ama, não merece a vida que lhe foi conferida. 
Aqueles seres que romperam corações outrora ingénuos, mereciam uma pena num ergástulo, cárcere... A vida teria muito mais encanto se as pessoas soubessem amar, valorizar o que está certo.

Nelson José Ponte Rodrigues
20-02-2017


Inebriante

Quem te traz alvíssaras, merece congratulações. A maioria que não revela pertinácia contenta-se com o infortúnio alheio, inclusive do suposto grande amigo. É um sacrilégio encontrar satisfação na infelicidade de quem nunca perturbou o teu bem-estar ou paz. Um pirete, nesta situação, é pouco! Logo, não partilhes os teus sucessos com qualquer um. O sigilo e o sucesso só se devem separar quando o apogeu finalmente acontece. A porfia, isto é, a obstinação é a maior qualidade dos guerreiros mais audazes. E tu? Uma atitude idiossincrática faz toda a diferença. Rege-te pelo teus sonhos e vontades (sem magoar nem manipular ninguém)... Assim, serás uma versão única e inebriante. Não preciso ter ou fazer o que outros fazem, eu sei o que quero. Para alguns ser diferente é um ato de insanidade ou uma prova de fracasso. Na verdade, é um ato deplorável pensar desta forma. O diamante mais belo nunca foi lapidado.

Nélson José Ponte Rodrigues
14-02-2017